Eu não sei se já disse publicamente, mas tenho textos “escondidos”. São textos em que abro passagem a toda minha crueldade. Escrevo, abandono, volto só depois de passado o momento de fúria ou dramatização excessiva. E o porquê os escrevo?
Porque após vomitados, percebo que se eu me permitir, se eu realmente tiver coragem, coloco as luvas e vou em direção ao outro para esquartejá-lo. Assim que chego perto, contudo, a linguagem me hipnotiza e o outro, que se apresentava tão monstruoso e merecedor dos mais racionalizados castigos, se sublima em reflexo no espelho. A imagem dissolve o outro? Não.
Dissolve-me, como um boneco de cera ao sol. Nisso, consigo descobrir novos lugares e o prazer em apanhar se torna um momento de movimento, ao contrário do engessamento que me fazia inteira, mas apenas boneco de cera.
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