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terça-feira, 6 de maio de 2014

RITO em CAIXA ALTA


Ajoelho sobre escombros
E rezo 
líquidas fagulhas
telúricas agulhas 
no seio
Pontes de anseios
gotas pontiagudas
e o rito:
AMOR
(Só em caixa alta)

AMOR?!

Anestesiadas assombrações
seguem na datilografia fria
de lustro-cidades fálicas
concreto brocha
saliva cinza
reprimida na boca
proibida de babar-se

(amoooooooooooooooooooor!!!)

AMOR!

Gosmas
Esfolações
Sangrias
Microrganismos
Cataclismos
Urinas
A cara Comprimida
O peito Estilhaçado
num Inteiro
que só O É
Se DOIS
Se MAIS
Salivas
Salinidades
Umectâncias
Células 
Trocas 
Nucleares
Leites
Bicos
Leitos
Lentosidades
Saliências degustáveis
O Divino Empalamento
A um Deus Sem Nome
FÉ
Em CAIXA ALTA          

AMOR
:
de Pandora
O FODER LIBERTO     


  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Boca Úmida


escorrer seus dedos
em licor ornado
em meu úmido desejo
lamber o Amor
em seus 
atos&atalhos

beijar seus palavrões em mim
baixinhos
 ao pé do ouvido
e chupar
o seu “caralho”
sentir Você
Sacana
o olhar direto
fodendo
em minha Chama
acender
os sisos e os tinos
gemer aos gritos
a sua boca suja
cortesia vulgar
delicadamente
ouvir
que comigo
“suavemente quer trepar”
compreender na pele
sua língua
sugar nesta
mais perfeita taça
os lábios tintos
a delicada nata
o sincero segredo rijo
purificar
as minhas ideias
já molhadas
em água santa
nos embriagar
e queimar os trajes,
as carnes e as frases

umedecer pelo fio
o novelo
descobrir a ponta
pelo fim
e pelo fio
sempre o começo

se enredar em linhas e enlaces
de cada nó
na morte
um cálice

nada mais quero
nada mais espero
do começo ao fim
único elo
o começo no fim
o infinito em meu meio 

nada mais
quero

terça-feira, 24 de julho de 2012

Meus bichos papões

Sabe aqueles dias em que o mal estar da civilização te ataca e um enorme medo da morte e da crueldade do ser humano te assoma? Estou assim a alguns dias. Após deparar-me com a imagem de um homem esfaqueado, no facebook, um suposto estuprador, linchado e morto, eis que a maldita imagem e todas as demais a que ela me remeteu, Sodoma e Gomorra, corpos esfarelados no asfalto, etc, não consigo dormir direito. 

Sim, sou uma pessoa impressionada. Não assisto à filmes de terror, evito ao máximo ver noticiários, dei a minha televisão. Não quero ver o que não posso intervir. À mim já embrulha ao estomago os relatos sobre a guerra civil na Síria. Que dirá surpreender-me com a foto de um ser humano morto, com milhões de facas aterradas ao corpo?  E, ainda por cima, ir dormir e olhar para o meu filho sabendo que nem eu conseguirei salvá-lo de toda essa nojeira e nem mesmo a mim? Uma sensação horrível e perturbadora. 

Mas, eis que, novamente, ligo o meu notebook e vejo um texto, diarístico, com uma música do Jonh Lenon e, por alguns minutos, após todos esses dias, um alívio. A arte, o humor, são o inverso da morte. Talvez, seja isso. Tão simples e tão necessário.

Deixo a música e um abraço, posto que o amor é o inverso da solidão.   E acho que ultimamente ando precisando de uns abraços...rsrs!



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Perfurações íntimas

III

Coloquei tudo em uma mala

Decidida a nos incendiar

Eu tinha muitas escolhas

Desamar violentamente

Ou

Despedaçar  uma a uma

nossas lembranças

Fomos sociopatas profissionais

barbarismos cotidianos

Eu te rasguei muitas vezes

mas a carne decepada foi a minha

Choveu

Você não soube

de raiva eu te omiti

Houve tempestades

Vendavais

Mas em cada palavra minha

O fel aos pingos

 A dor a conta gotas

Em cada dor,

Novos  oceanos

Pari para dentro

Um amor ao contrário

e a cada nascimento

agüentar calada

Rebentar as visceras

Flagelei todas as nossas memórias

e agora

carrego só

essa enxurrada de afetos mutilados

À espera

de um dia de sol.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Pontos finais contínuos

Os amores terminam. 
O problema é que não terminamos junto com eles. 
E temos de continuar, apesar de. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

chupar-amar

A anus,

quente piscadela irônica,

mostra-lhe

a língua

enquanto

os lábios

chupam,

compassados,

o seu medo de amar

enquanto

trepas.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A amante exigente

Quero tudo.
É direito meu.
Sem essa de você não respeita a minha individualidade!
Quero seus lábios e seus bagos
e também
a  dor estuporada de seus sonhos
O impreciso furioso de seus olhos
As lâminas frias
ardidas
de suas Palavras
a empalar-me a carne
Sem essa de eufemismos
tranquilismos
Pode vir
Sem piedade
Anda!
Rasgue-me de uma vez por todas!
(toda vez)
Cruelmente!
Desosse-me se assim for ...
Preciso
(e se não for também)
Eu preciso...
Sem demora
Estrangule-me logo essas certezas!
Entenda
Eu quero
a sua paz
e o seu desespero
Quero que aprenda
a não ser o bastante.
Que sinta culpa
mesmo
Pelos os poemas que ainda me deve a escrita
e pelos livros que ainda me deve a leitura
Que na hora exata,
irritantemente,
apenas insinue
aquelas palavras incertas
E no momento impreciso
jogue-me na cara
impertinentes intimidades.
Espero que
pelo menos
consiga ser rude o suficiente
E  como regalo de amor
rezarei
todos os dias
para que sejas fênix
com toda dor de ser fênix
Morrer
em ardor e desalento
Pois só há beleza
aos  que entrelaçado às fibras,
carne e mente
carnadura,
carreguem a cicatriz
de a cada pôr do sol
todos os dias virar pó
e mesmo sabendo dos flagelos que o próximo anoitecer lhes promete
não nos prive,
querido,
do  desnascer de cada dia..

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sobre quem eu sou: A Casa

Tocou a campainha e eu o olhei pela janela.

Observamo-nos.

Minutos, horas, dias e meses. Com medo eu disse não.

Entrou. Não tocou nenhuma campainha. Mal sabia eu, mas a porta já estava aberta. Depois disso,  apenas um  escuro de olhos cerrados, a saliva das línguas em espasmo, o macio das mãos. Desse dia em diante a porta fechada por dentro e as janelas abertas a um novo mundo.

Abrimos a porta do quarto. Abrimos a água do chuveiro. A casa clara. As conversas fartas.

Abrimos a porta da cozinha. Ele cozinheiro, eu temperada e comida.

Abrimos cervejas. Abrimos um vinho. Abrimos os livros. Abrimos um vício. E juntos, as horas acalentadas e a carne encharcada.

Abri as pernas. Abri o peito. Abri meus sonhos.

Abrimos um amor.


Mas um dia foi à sala e fechou a janela. Não gostava do barulho da criança no jardim. 

Desse dia em diante, uma sombra na sala. A casa mais fria.

Passei a observar a sala. E um dia fechei sua porta. Tinha medo da sombra que lá crescia. Porém, a sombra já havia aberto uma porta em mim.  

Depois, fechou o portão da casa. Não gostava de barulho de menino. Relutei. Pra quê tanto silêncio? Não conseguia me ouvir. Desse dia em diante, não mais fui ao jardim. Tinha medo do silêncio que lá crescia. Mas o silêncio já morava em mim.

Minutos, horas, dias e meses. ..

Então, a porta do quarto foi fechada.

Tinha medo de mim.

A casa escura, as conversas rasas.

Minutos.

Horas.

Dias.

Meses.

Abri a porta do quarto.

Abri a janela da sala.

Abri a porta da casa.

Abri o portão.

A rua clara. Sons de criança.

Atrás de mim,  as paredes desmoronadas.

Em mim,

fotografias de uma casa antiga. 

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sobre o amor e outras complexidades

Certa vez um professor meu de filosofia do pensamento chinês disse que amar é incluir o outro em seus planos de vida. Como sempre os orientais a dizerem complexidades com uma simplicidade assustadora; e daí achamos que é simples.

Algumas conclusões imediatas devem ser ditas: nem sempre gostar basta. Nem sempre haver respeito basta. Nem sempre gostar de fazer sexo basta. Nem sempre gostar de conversar basta.

A questão que ficará aos enamorados do mundo que ousaram romper os limites do senso comum talvez não deva ser o que basta, mas o porquê não basta. Devo alertar que chegar até aqui é um tanto quanto dolorozo.

Mas os chinese...Sábios chineses! Têm suas dúvidas, seu senso comum, seus preconceitos. Mas têm também sua bela simplicidade em pensar àquilo que tanto demoramos a sequer nos questionar.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A.A

Só por hoje não o amarei.

(Só por hoje não o ligarei, não pensarei nele, não manderei mensagens, etc).

Só por hoje...

Amorosos Anônimos

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Das frustrações...


Algumas imagens realmente mereceriam um registro fotográfico. Mas, privada da capacidade de segurar uma máquina fotográfica, e esquecida das artes do grafite e do nanquim (há anos que deixei de desenhar), restou  apenas, com medíocre utopia, recorrer ao Word que a este momento silenciosamente é quem pode me acolher.

O dia estava nublado e voltávamos de um de nossos passeios à praça do relógio. O vento já dançava em ritmo acelerado e anunciava em nosso rosto o fim da festa, a hora de lavar a casa. Mas a festa nunca tem fim a quem é criança, pois a elas brincar é sempre o mais provável. Por isso, mesmo em fim de passeio, ele ainda corria do mesmo modo com que correu e festejou a nossa partida. De braços abertos, bailava freneticamente ao som das trovoadas. “Mamãe! Mamãe! Vem! Vamos correr atrás dos passarinho”. E desse modo, fui, ao som do vento, enovelada carinhosamente pelas caricias daquela dança. De sua voz e de sua pequenez me brotava uma vontade infinita de eternidade e compulsivamente fui conduzida a abraçá-lo.

A poesia às vezes se materializa (nos poemas eternos dos grandes autores). Às vezes, vira a lembrança de um doce gostoso (não, a minha fotografia escrita, infelizmente, é falha!). Nós sopramos as flores e delas restaram apenas o caule. As pétalas daquela poesia depositaram-se em minha memória, mas não deixaram semente. Assim, resta-me apenas o desejo frustrado de uma fotografia impossível. O invisível de um poema abortado, apesar de toda a poesia que carrega.  Quem sabe, também o despeito de ser a única a saber a ter na memória uma coreografia tão peculiar: de braços abertos, o menino e seus pássaros,  a ventania e o meu tempo. Uma mãe rodeada de infância e um pedaço de seu coração a correr com pássaros e a voar de si.   

 

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Brian Eno - By This River


 

Os créditos da imagem - O fotógrafo- é de Fernanda Magalhães, do blog http://artetransmultiflexmixmultimaga.blogspot.com/

 

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Bora prosear?

Quando entrei no curso de Letras e iniciei os meus estudos em teoria literária, uma das primeiras coisas que aprendi é que o “como” eu digo um conteúdo já carrega em si o significado deste. A estrutura de uma idéia já é ela mesma uma idéia. Se isso fosse um texto acadêmico quem sabe eu tivesse de definir a partir desse ponto os pressupostos que abrem essa reflexão, como, qual é a minha concepção de idéia, de estrutura textual etc.

Mas para tanto, eu teria de fazer deste texto, um artigo acadêmico o que não é o meu propósito. O que aqui tentarei defender através do relato do que considero um grande defeito meu, e na cola do texto da Tiburi, “Conversar é uma forma de amar”, é o completo desleixo como estabeleço contato com as pessoas.   

Apesar de o conceito de “entrar na bolha” ter sido cunhado há pouco tempo por meus amigos da Lingüística, já não é de agora que moro em minha redoma de vidro. Há um tempo atrás, coloquei em um de meus relatos a minha terrível mania em esconder o que sinto e o que sei, me desqualificando em um “achismo” que enclausurava (ou ainda enclausura?) os meus quereres e, principalmente, os meus saberes, dentro do rótulo da mediocridade. Pois bem, desta vez partirei de uma outra perspectiva: quando eu esqueço de meu aprendizado de início de curso e irresponsavelmente faço uso de minhas palavras e de meu silêncio. O aborto do saber alheio por meio de minha intolerância.

O que dá a coerência e que conduzirá os argumentos nesse rascunho de reflexão é o destaque que faço ao modus operante de minha intolerância: o “como” materializo o incômodo das idéias alheias. Ora, ora! Colocado assim, parece uma contradição. Poderia pensar inclusive em um agravamento da idéia que já havia colocado em meu texto anterior: não digo o que sei, por pensar que nada sei e não ouço o que me dizem por também pensar que ninguém mais saiba! Mas veja: se eu subir só mais um grau na barra da discussão, quem sabe, não o seja. O que gostaria de apontar é a falta de reflexão e a intolerância como legitimo o conteúdo e o modo dos discursos “aceitáveis” e, consequentemente, as pessoas que produzem esses discursos. 

Houve dois fatos que me fizeram parar para pensar em minha “deslexia” em construir diálogos. O primeiro: observar pessoas que sabem conversar. Quais seriam? Irei apontar duas: minha tia Railda e meu amigo Renilson. Sabe por que os escolhi? Porque quando dialogam, prestam atenção no que o outro diz e mesmo que o seu interlocutor esteja a falar a maior das bobozeiras, sabem aproveitar o assunto para algo interessante. Por que sabem contar histórias e não precisam estar a todo o momento fazendo análises sociológicas, psicológicas e outros “ógicas” que existam por aí. Não defendo aqui a passividade como o caminho para a construção de boas relações e de bons diálogos. Não é isso. Mas partirei do seguinte principio: não temos mais paciência de conversar. Creio que aprendemos novas formas de conversa, mas, ou a restringimos ao exercício solitário e impessoal da leitura e da escrita, seja em blogs ou salas de bate-papo, ou a um exercício analítico em que exclusivamente postulamos valores ou exercitamos nossa vaidade retórica. O segundo fato e que foi decisivo: o teor combativo como TRAVO conversa (sim, porque minhas falas parecem as realizadas em uma guerra, ou uma arena) com algumas das pessoas que dialogo. É a impressão cada vez nítida da nossa (sim, pois percebo que não é uma característica que se restringe a mim!) falta de interesse com em ouvir e contribuir com o que as pessoas têm a nos contar o que me trouxe de volta a esse espaço.

E se eu começasse uma fala assim: quando eu era pequena, morava em um bairro da zona Leste de São Paulo, chamado São Miguel Paulista. Lá, estudei em uma escola pertinho de casa, o Carlos Gomes, há duas quadras de casa de mamãe. Àquela época, não havia tele transporte e tinha de ir a pé para a escola, com meu tênis all star azul e meu uniforme preto, com uma listra em vinho...? Como meu ouvinte reagiria? Provavelmente, com um “hum hum” bem educado e um enfastio enorme em seu interior. Mas é esse mesmo interlocutor quem vai a um blog ler por horas a rotina do primeiro estranho aparentemente interessante que o google o indique na internet. Isso porque nos relacionamos não com outras pessoas, volúveis, mutantes, defeituosas e cujas qualidades estão dissolvidas na rotina. Relacionamos-nos com pressupostos. Pressupostos fixos, o que é ainda pior. O outro é. E se gosta de mim, é como eu, ou o que eu gostaria que fosse. Se não, é o que é e sempre será: alguém que essencialmente por já ser o que eu não gosto que seja, obviamente, não poderá ter nada a dizer que não seja merda.  Ora! E ainda complemento o raciocínio: mas nem era preciso falar, era óbvio!!! Além disso, carrego na manga a desculpa para aqueles momentos em que a consciência resolve doer: eu gostaria de ter dado mais atenção, mas será que não entendem que EU não tinha tempo?! 

Ok, ok! Uma fala descontextualizada pode ser tão inútil quanto um noticiário de páginas da secção policial. E, além do que, poder-se-ia argumentar que vivemos na sociedade da fofoca. Mas não é a esse tipo de preenchimento de palavras a que me refiro. A minha reflexão visa criticar as obviedades não óbvias que pressupomos em nossa bolha de egoísmo, a preguiça em explicar, a impaciência em ouvir, o silêncio de corpos que foram feitos para se comunicarem, para DIALOGAREM, ou mesmo, aquelas conversas vazias, preenchimento inútil dos silêncios necessários, características que permeiam e emolduram diversas das relações afetivas que conheço, inclusive, as minhas relações.

Por apostar demais em uma certeza, ou pelo medo em invadir um espaço que, por infantilidade, atribuímos restritamente ao nosso interlocutor, abafamos de nossas idéias com uma agressividade que consideramos legitima a voz de muitas das pessoas que mantemos (ou deveríamos manter) DIálogo. Silencio o outro dentro de meu próprio silêncio, em minha desatenção e em meu esquecimento. Desqualifico opiniões que me desagradam e, nem ao menos, me dou ao trabalho de separar o joio do trigo.

A conseqüência (ou seria a causa?), creio, esteja no desrespeito à história de vida que cada um carrega no bojo de sua existência, da história de seus pressupostos, o desrespeito às pessoas que o influenciaram, muitas vezes por amor, a completa desqualificação do processo de formação de sua moral.

O que eu penso ser um grande defeito meu, mas não somente meu é a desatenção com que digerimos as experiências alheias e as nossas experiências. Quem sabe ainda precisemos aprender com os mais velhos, os da época de minha avó, que agachavam em frente à porta para trocar um dedinho de prosa. Simplesmente. Sem sublimação e teatralização teórica. Simplesmente uma boa prosa...